sábado, 28 de janeiro de 2017

BAPTISMO DE FOGO

BAPTISMO DE FOGO

Quando fomos topar com o inimigo
E lhe fizemos fogo p'ra matar,
Vi que também morreu n'esse lugar
Muito do que sabia bom comigo.

Tinha um sorriso franco, agora  antigo,
E um brilho transparente em meu olhar,
Que perdera de vez sem o notar,
Ao disparar morteiros contra o abrigo.

Ao passar em silêncio pelos mortos,
Sentia pegajoso em minha mão
O sangue derramado pelo chão.

Onde em face dos corpos 'inda tortos,
Seus olhos me acusando, esbugalhados,
P'ra sempre todo o mal de meus pecados...

Belo Horizonte - 13 09 2001