quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

CODICILO

CODICILO

Pelo presente escrito a próprio punho
E com pleno poder das faculdades
Expresso as minhas últimas vontades
Com qu'eu, à morte, dou meu testemunho.

Deste modo, nos idos já de junho
Me vi sem esperanças nem verdades
Dispor do meu a alheias necessidades
Ao dar-me fé a tal póstumo cunho:

Minha mobília e roupas, podem doar
Meus anéis meu enterro hão-de pagar
Tão pouco me serviram quando vivo...

Meus versos, deixo a quem os souber ler
Mais os livros escritos sem saber
De vida e obra, por fim, qualquer motivo.

Contagem - 03 06 2004