terça-feira, 20 de dezembro de 2016

SUÇUARANA

SUÇUARANA

O cachorro latiu. Passou alguém?
Não vi nada e ninguém na madrugada
Andar de fronte à casa pela estrada.
Quer fosse alma d'aquém ou alma d'além.

O latido era forte e alto, porém. 
Fiquei a imaginar qualquer maçada:
Um paisano a pedir aqui pousada
Ou parente querendo algum vintém...

Lá fora estava um breu; noite sem lua.
Rebuliço de reses no curral
E algum vulto a cruzar todo o quintal.

Onça parda azulou na pedra nua,
Salpicando de sangue toda terra
Depois de molestar uma bezerra.

Sobrália - 07 07 2003