domingo, 6 de novembro de 2016

CÂNFORA

CÂNFORA

Toda a casa cheirava à choro e vela
Ou uma d'essas fragrâncias vãs de empório.
Como se ainda há pouco algum velório
Onde a sala faz vezes de capela...

Mas o cheiro que enchia a casa d'ela
Parecia mesmo algo merencório.
Ainda que com modos de finório,
Postando-se de pé junto à janela...

Eram duas figuras solitárias:
Ela, com os seus santos e seus mortos;
Ele, com sua culpa e desconfortos...

Assim, face a figuras tão contrárias,
Sentira eu a tarde toda, bem ou não,
De cânfora, um odor de solidão.

Inhapim - 05 11 2016